‘ Telefonar-lhe para quê? Não se pede carinho, nem amor, nem atenção, nem tempo a ninguém. Se as pessoas gostarem mesmo de nós acabam por nos dar tudo. ‘Exacto. E eu fartei-me de pedinchar. E claro que o que existe agora na minha vida é um vazio, sem mensagens ou telefonemas, ou visitas e passeios por Lisboa. Mas por outro lado o vazio leva-me a um sítio encantado: a mim mesma. Encantado porque há sempre algo a desvendar e neste momento acho que preciso disso. Já precisava quando conheci o André, mas abdiquei disso porque me senti tão feliz. Tenho saudades dessa felicidade. Das borboletas na barriga, de sorrir para o telémovel. Mas sei que não era ele. Sei que ainda não o conheci e em algum sítio ele estará agora, sabe-se lá a fazer o quê, sem mim. Essa pessoa que ainda não apareceu, que me vai amar, muito e tratar bem. Não mereço ser maltratada, traída, ofendida como tenho sido nos últimos anos. Mereço um amor maior. E se esse amor não é o do Miguel, que durante tanto tempo achei que sim, então não dês mais conversa. Apaga. Recomeça. Estuda. Deixa os teus pais orgulhosos de ti que eles sim, merecem tudo o que tens de bom para dar. Pensa que nos próximos 6 meses não vais ter ninguém e isto é algo a que te impões de uma vez por todas. E já agora, não desejes o que não te pertence.
Emma.
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